Orçada em R$ 355 milhões, a obra da Arena Pantanal, palco para receber os jogos da Copa do Mundo de 2014 em Cuiabá, completou exato um ano de trabalho no último dia 26 de abril. Do montante destinado para a construção do estádio, construído no espaço onde foi erguido o extinto José Fragelli, o Verdão, cerca de R$ 59 milhões já foram desembolsados pela Agecopa para esta primeira parte da obra, que está na fase de fixação dos pilares que vão dar sustentação ao levantamento do novo estádio e terraplanagem do campo.
Para acelerar mais a construção, está previsto uma injeção de R$ 180 milhões ainda este ano.
Nos primeiros 12 meses após a demolição do antigo estádio, o ritmo de trabalho só diminuiu no período das chuvas em Mato Grosso - do mês de novembro do ano passado até metade do abril. Cálculos feitos pela coordenação da obra e também por fiscais do Ministério do Esporte e da Fundação Getúlio Vargas (FGV), enviados à capital mato-grossense para fazer todo o acompanhamento, a obra ficou paralisada cerca de 95 dias em atraso por causa do período chuvoso.
Mas mesmo assim, o coordenador de obras da Arena Pantanal e Entorno, engenheiro civil João Paulo Curvo, ressalta que o trabalho representa cerca de 20% de toda a obra a ser executada. Ele descarta qualquer possibilidade da Arena Pantanal ficar pronta em 2017, três anos depois do Mundial como chegou a ser cogitado por uma revista de circulação nacional na semana passada.
"Não existe esta possibilidade. O nosso Planejamento Executivo está sendo cumprido à risca, mesmo com alguns problemas que tivemos bem no início dos trabalhos como o afloramento de água em alguns pontos do terreno onde estava localizado o Verdão", disse João Paulo, engenheiro nomeado pela Agecopa para fazer todo o acompanhamento das obras.
De acordo com ele, apesar do atraso de quase três meses por conta das chuvas, há uma estratégia traçada pelo consórcio vencedor Santa Bárbara/Mendes Júnior, Concremax, empresa fiscalizadora e gerenciadora da obra e a própria Agecopa, para recuperar o tempo "perdido". Se for preciso, não está descartado o aumento no efetivo de homens e criar mais um turno de trabalho - período noturno.
Diante disso, a data inicial à entrega da construção está mantida: dezembro de 2012, a Arena Pantanal estará pronta. Inclusive, com Cuiabá disputando uma das sedes da Copa das Confederações em 2013, torneio este realizado pela Fifa um ano antes da Copa do Mundo. Em recente visita a Cuiabá e em uma conferência sobre o Mundial no Brasil mês passado em Fortaleza, membros do Comitê Organizador Local (COL) não descartam a possibilidade da capital mato-grossense ser indicada como uma das cidades aptas a receber a competição que antecede ao maior evento esportivo do mundo.
"A Agecopa até entende a preocupação de vários setores da sociedade brasileira com relação às obras à Copa do Mundo. Com Cuiabá podem ficar tranquilos, estamos cumprindo todo cronograma de trabalho traçado pela Fifa e pelo COL. A tendência é o nosso ritmo aumentar a partir do mês de julho até a metade de 2012", afirmou Curvo, ressaltando que hoje no canteiro de obras trabalham um efetivo de 350 homens e cerca de 60 máquinas entre caminhões, equipamentos de perfuração do solo, guindastes entre outras. A estimativa é que a equipe de trabalho aumente quando a obra atingir o seu pico máximo. Dos atuais 350 homens, a previsão é que o número possa chegar a 800 pessoas quando chegar na sua capacidade máxima de produção.
Natural do estado do Amazonas, o engenheiro civil Cleomar Santana foi designado pelo Ministério do Esporte e pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) a fazer todo acompanhamento da obra da construção da Arena Pantanal. Ele está em Cuiabá há uma semana, mas é segunda vez que está na capital mato-grossense para monitorar os trabalhos ligados ao Mundial de 2014. Responsável também para acompanhar a obra do novo estádio de Manaus, onde por muito tempo foi o antigo Vivaldão, Santana revela estar otimista em Cuiabá em entregar a obra dentro do prazo estipulado: 2012.
"Muita coisa mudou em relação a primeira vez que vim ver a obra em Cuiabá. Do ano passado para este, a obra andou muito. Se continuar neste ritmo, Cuiabá pode ser uma das primeiras capitais a estar com estádio pronto. Além disso, é séria candidata a ser uma das cinco sedes para receber a Copa das Confederações", frisou o "olheiro" do governo Federal, responsável em enviar semanalmente relatório ao ministro Orlando Silva.
Cleomar Santana reforça a tese de que a Fifa e o COL ainda não definiram quais cidades vão ser escolhidas para sediar a Copa das Confederações, torneio programado para ser realizado de junho a julho de 2013. A definição deve ocorrer no próximo mês de julho. A preocupação maior do representante do Ministério do Esporte está ligado às outras cidades consideradas potenciais como São Paulo, que ainda nem iniciou a obra do estádio Fielzão, programado para ser construído no bairro de Itaquera, na capital paulista.
Assim que Cuiabá foi confirmada como uma das 12 sedes brasileiras a sediar o Mundial de 2014, em maio de 2009, já havia um compromisso do governo do Estado em entregar a obra da Arena Pantanal em dezembro 2012. E este prazo está mantido pelo novo presidente da Agecopa, Éder Moraes, que está a frente da autarquia há um mês em substituição a Yenês Magalhães.
Moraes faz questão de desvincular a data de dezembro de 2012 com a possibilidade da capital vir a ser sede da Copa das Confederações. "Independente de sermos ou não sede das Confederações, o prazo será cumprido. No final de 2012, o nosso novo estádio ao Mundial estará erguido, pronto", afirmou João Paulo Curvo.
Por determinação da Fifa, organizadora da Copa do Mundo, é proibido ter estacionamento para veículos na área da Arena. Por conta desta orientação, a Agecopa já reservou duas áreas próximas ao antigo Verdão para a construção de espaços aos torcedores deixarem seus carros. Uma delas já está em processo desapropriação, a antiga Feira do Verdão, entre as avenidas Miguel Sutil e Agrícola Paes de Barros. A outra está em fase negociação com a direção do Círculo Militar, área pertencente ao Exército Brasileiro. Os dois locais vão ter espaço para 15 mil veículos.
A demolição do extinto estádio José Fragelli, o Verdão, causou revolta em muitas pessoas, em especial aos milhares de cuiabanos saudosistas, que tinham o local como o templo do futebol mato-grossense. Mas a escolha do governo do Estado, na época sob gerência do atual senador Blairo Maggi (PR), foi estratégica. No entendimento de Maggi e de sua equipe técnica era de que levantar um novo estádio em outro lugar de Cuiabá custaria ainda mais aos cofres públicos.
A decisão de construir a Arena Pantanal onde era o Verdão foi pelo fato da região já contar com uma ótima infraestrutura, o que não poderia encontrar em outro local da capital. O bairro Verdão dispõe de rede de saneamento básico, iluminação pública, próximo das várias unidades de saúde, segurança como o quartel do Corpo de Bombeiros, feira pública, shopping center e a 30 minutos do aeroporto internacional Marechal Rondon, em Várzea Grande, o que é levado muito em consideração pela Fifa. Tudo isso pesou na hora de optar em manter o novo estádio onde era o Verdão, que levou o nome do ex-governador José Fragelli.
Além disso, desde época do ex-governador José Fragelli, já existia em projeto em que toda a área do estádio Verdão seria no futuro um complexo esportivo, que está se tornando realidade com a inauguração do ginásio, professor Aecim Tocantins, considerado um dos mais modernos do Brasil, a piscina olímpica, que teve a sua primeira parte entregue ainda no governo Blairo Maggi e o espaço reservado só para os adeptos de artes marciais -karatê, judô, jiu-jitsu entre outra. A área pertence a prefeitura de Cuiabá.
Fonte: http://www.gazetadigital.com.br
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